segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

menina Poltergeist caso no rs nos anos 80


Imagine pratos decolando da mesa de jantar, levitando e, depois, se espatifando contra a parede. Luzes piscando numa roça de milho e, ao verificar, percebe-se que não se trata de vagalumes. Batidinhas e toques, lembrando um bizarro código Morse. Cadeiras se arrastando sozinhas e colchões se retorcendo, lâmpadas estourando fulminadas pelo olhar.  Pois bem, esse cenário aterrorizante ocorreu no interior de Santa Rosa (RS) e  foi manchete em vários jornais por vários meses do ano de 1988. O chamado “Fenômeno Poltergeist”, (do alemão poltern, que significa ruído, e geist, que significa espírito) é um tipo de evento sobrenatural que se manifesta deslocando objetos e fazendo ruídos. Foi registrado na pequena comunidade rural, tendo como protagonista uma pré-adolescente que se tornou conhecida nacionalmente: Leonice Fitz com 13 anos de idade conseguia movimentar objetos, estourar lâmpadas, e até mesmo manter estranhos ‘diálogos’ com ruídos que se originavam nas paredes de sua casa. Isso fez com que em pouquíssimo tempo Leonice ficasse conhecida como “A Paranormal de Santa Rosa” ou “A menina Poltergeist”.

O público tomou conhecimento dos fenômenos em abril do mesmo ano, após uma reportagem do jornal “Zero Hora”, que estampou em sua capa uma foto da menina erguendo o colchão de sua cama sem tocar.

 Segundo a mãe, Ema Fitz, hoje com 64 anos, desde bebê ela já mantinha um comportamento esquisito. Com apenas três semanas, ela conta a história de uma boneca que colocou ao lado da filha, que abriu os olhos e começou a chorar, quando a mãe tirou, ela parou. A mãe se assustou, pois parecia que a recém-nascida já enxergava os objetos.

Na escola, Leonice se divertia com seus poderes. Ela produzia barulhos que assustavam até os professores e fazia os bonés dos garotos levitarem e saírem pela janela até o telhado! Quando voltava para casa, ela fazia as pedras na sua frente rolarem.

O único que conseguia ter algum tipo de controle sobre ela  era o seu pai, Arnildo Fitz, falecido em 2003, aos 57 anos. Apenas seus olhares conseguiam impedir a menina de explodir lâmpadas ou quebrar a louça da família.

No fenômeno “Poltergeist”, acredita-se que o foco da perturbação  é, geralmente, uma criança na fase da puberdade, em geral do sexo feminino. O evento caracteriza-se por estar relacionado a um indivíduo e por ter curta duração. Difere da chamada assombração, que pode se estender por anos, sempre associada a uma área, geralmente uma casa. Os poltergeists foram documentados nos mais variados cantos do planeta, entre grupos culturais diversos. No Brasil, a investigação do fenômeno tinha como um dos principais expoentes, o pesquisador e engenheiro Hemani Guimarães Andrade, fundador do IBPP (Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas). O prof. Hemani, falecido em 2003, era conhecido internacionalmente, investigou aproximadamente 32 casos, e contribuiu imensamente para a evolução dos estudos nesse campo.

Após a fama, a Garota Poltergeist deixou o pacato Rincão da Boa Vista para trabalhar em Santa Rosa. Entretanto, não conseguia manter-se nos empregos de doméstica, pois sempre assustava as patroas. Numa ocasião, o ferro de passar roupa esquentou, embora estivesse desligado. Em outra, as bocas do fogão a gás se acenderam. sem que fossem acionadas.

Com a proporção que os acontecimentos tomaram, a prefeitura de Santa Rosa pediu ajuda ao padre e parapsicólogo Edvino Friderichs, que a acompanhou até o fim dos anos 80.

Segundo o padre, a causa dos distúrbios psíquicos de Leonice tinham origem na incapacidade da garota em perceber a seriedade dos eventos: “ O problema é que ela acha graça quando isso acontece, sem levar em conta que se trata de um desequilíbrio físico e psíquico”.  O Padre tentou em vão ensiná-la a controlar o porão obscuro da sua mente. Leonice mantinha um intenso diálogo com o mundo dos mortos, sendo um tio falecido o seu maior interlocutor.

Algum tempo depois, Leonice montou um consultório espiritual, o qual manteve por 10 anos. Usava seus dons para curar pessoas com distúrbios, possessões, inclusive de fora do Brasil, em países como Paraguai e Argentina. Um dos pacientes mais marcantes foi um rapaz de Porto Mauá, que atearia fogo em galpões, usando a força do pensamento.

Quatorze anos se passaram desde a sua fama repentina e, em 2002, Leonice resolveu sair do anonimato e quebrar o silêncio. Ela deu uma entrevista ao RBS TV Gaúcha. Estava casada, mas  não tinha filhos e disse ao repórter que amava o anonimato. Questionada sobre como fazia para mover os objetos, deu a seguinte declaração: “Eu pensava que este papel voava e ele voava, então eu acho que era a força da minha mente, não era nada com espírito“, diz Leonice.

Seus poderes não diminuíram ao longo dos anos. Leonice disse que ainda conseguia desligar e ligar lâmpadas ou ventiladores, por exemplo, mas não quis demonstrar o poder para a reportagem, pois não queria mais reviver o passado.

Leonice Fitz faleceu em 2010, aos 34 anos, vítima de câncer nos ossos.